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Paço do Lumiar: microcosmo do Maranhão na era Sarney

Tal qual a eleição de 2014 marcou a ruptura do modelo oligárquico no Maranhão, em Paço do Lumiar, o último pleito eleitoral alterou a lógica política e administrativa do município. Por lá, assim como no Maranhão da Era Sarney, o patrimonialismo e o assalto aos cofres públicos eram políticas de estado. Não por acaso, os últimos quatro gestores foram presos ou afastados da prefeitura por decisão da justiça.

Tratada como ‘cidade-dormitório’ desde a sua fundação, Paço do Lumiar por muitos anos servira como reduto pessoal do Sarney. Era a principal base do deputado federal Sarney Filho, ministro do governo Temer, a ponto de seu filho, Adriano Sarney, cogitar assumir de vez a prefeitura, mesmo sem sequer morar no lugar.

Sob as bênçãos dos Sarney, a oligarquia Arôso dominou o município nas últimas décadas. Em consequência disso, assim como no Maranhão, na antiga terra do jesuíta Luís Figueira prosperou o atraso, a corrupção e o descaso com a coisa pública. Enquanto isso, em meio à confusão de liminares escusas do Tribunal de Justiça do Maranhão, os luminenses acompanhavam atônitos a prisão de Bia Aroso, Gilberto Aroso, Mábenes Fonseca, de secretários e de vereadores.

O resultado, obviamente, nem poderia ser diferente, culminando no desmonte politico e administrativo de Paço do Lumiar. Foi assim até a eleição do comunista Domingos Dutra, com o apoio do governador Flávio Dino, em outubro de 2016. Ali se consumava no maltratado município da Região Metropolitana de São Luís a ruptura que ocorrera no Maranhão dois anos antes.

À frente da prefeitura, em menos de um ano, o combativo Domingos Dutra deu sentido à emancipação ocorrida há 58 anos, dando ares de civilização à antiga vila de São José de Ribamar, asfaltando ruas e avenidas, reformando escolas, reconstruindo feiras e mercados, organizando o trânsito, melhorando o sistema de transporte público, instalando paradas de ônibus, desonerando a máquina pública e conseguindo levar o calendário de pagamentos do servidor público – ações simples aos olhos dos que estão de fora, mas que resgatam a dignidade e a cidadania dos filhos de Paço do Lumiar.

Dutra, óbvio, paga o preço, mesmo preço pago por Dino por desafiar o clã Sarney ao romper com práticas e condutas que lesaram os maranhenses por quase meio século. O prefeito, porém, dá sinais de que não se dará por vencido.

Na semana em que se viu golpeado por uma denúncia absurda do Ministério Público, numa tentativa descabida de atingir sua esposa e companheira de gestão, Núbia Dutra, respondeu com o asfaltamento de 18 ruas no Maiobão, financiado por recursos próprios, evidenciando que não se deixará levar por boicotes e interesses de viúvas do atraso, acostumadas às benesses de um modelo corrupto que subjugou Paço do Lumiar à escuridão.

Queiram os opositores dele ou não, os políticos ou instrumentalizados por um Parquet cada vez parecido com uma legenda partidária.

Comantário

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