"Não aderimos a estratégia de extremismos", diz Dino - Marrapá

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“Não aderimos a estratégia de extremismos”, diz Dino

Os governadores do Nordeste adotaram um tom de cautela ao falar de polêmicas com o presidente Jair Bolsonaro. Após reunião dos governadores do Nordeste ontem, em Teresina, o governador da Paraíba, João Azevedo (PSB), chegou a dizer que esta era “uma pauta ultrapassada”. Segundo a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT), “as energias” do Consórcio Nordeste, criado pelos nove governadores da região, devem estar focadas na atração de investimentos para a região.

Chamado pelo presidente de “o pior governador de paraíba [gíria carioca para nordestinos]”, o governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB) disse que as relações pessoais entre os governadores e Bolsonaro ficaram abaladas por conta de sucessivos episódios. No entanto, disse, “no plano das relações institucionais, se amanhã o presidente chamar uma reunião com os governadores do Nordeste, todos estarão presentes. Eu inclusive”, comentou.

Dino disse que há “perspectiva zero” de algum tipo de movimento separatista por parte dos governadores do Nordeste. “Não queremos embarcar numa estratégia de marketing que busca esconder problemas reais do Brasil por trás de uma cortina de confusões sem fim. Não aderimos a essa estratégia de extremismos”, afirmou, ao Valor.

O maranhense disse que a única pessoa que hoje atua para dividir o Brasil é o presidente. Ele afirma que é “um dos mistérios nunca decifrados” o fato de ele ter sido citado pelo presidente como o “pior” governador. “Nunca houve nenhum fato efetivo que ensejasse esse tipo de agressividade, a não o fato de eu exercer a minha liberdade de expressão”, disse. “Sempre debato no plano das ideias, mas o presidente transformou a questão numa agressão pessoal”.

Ele assume que há um movimento político dos governadores da região que ele define como “patriótico” e de busca de autonomia econômica. “Defendemos que diferenças de pensamento são legítimas e desejáveis. Muitas vezes defender o Brasil significa discordar daquilo que o presidente da República diz ou defende”.

Dino é o governador do Nordeste que tem se posicionado de maneira mais firme em relação ao governo federal. Quando começou a falar ontem após a reunião, ouviram-se gritos de “meu presidente” da parte de alguns dos presentes no evento.

Dino diz que o debate sobre a disputa presidencial é prematura, mas que é possível sim que o candidato de esquerda nas próximas eleições saia do grupo de governadores do Nordeste. “Claro que é possível, na medida em que são quadros políticos aprovados nas urnas que têm mostrado muitas virtudes administrativas”, disse. “Acho que é muito positivo que os governadores se coloquem no debate nacional. O que precisamos é reverter o esvaziamento da política brasileira”, disse. Em seguida, Dino lembrou e lamentou a perda do ex-governador de Pernambuco Eduardo Campos, em 2014, durante campanha presidencial, em acidente aéreo.

Anfitrião do evento, o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), disse que o plano do novo pacto federativo, levado na terça-feira ao Senado pelo ministro da Economia, Paulo Guedes, foi uma “boa notícia” e atendeu aos principais pontos propostos pelos governadores no início do ano. “O que estava ruim é que você não tinha sequer um gesto de tentar pautar, de tentar votar. Agora está bem encaminhado no Senado. Na Câmara, temos que dialogar um pouco mais”.

Para Dias, a injeção de R$ 500 bilhões de recursos nas contas dos governos estaduais e municipais nos próximos 15 anos, proposta por Guedes, ajudará o poder público a dar uma resposta para a crise econômica.

O governador disse que se o Senado optar pela inclusão de Estados e municípios na reforma da Previdência, os governadores do Nordeste vão “dialogar com senadores e senadoras no sentido ter esse texto [da reforma] aprovado”. (Valor)