Investigações de agiotagem voltam a aterrorizar vereadores de São Luís - Marrapá

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Investigações de agiotagem voltam a aterrorizar vereadores de São Luís

No esquema, vereadores pediam empréstimos consignados a uma funcionária do Bradesco, apresentando nomes de funcionários do Legislativo. O dinheiro seria repassado para laranjas, mas eles não precisavam pagar. Os próprios vereadores se encarregavam de fazer os repasses para quitar os empréstimos. Um cheque de mais de R$ 1 milhão, assinado pelo então presidente Pereirinha, estava em poder de um ‘empresário’.

Vereadores agiotas

Blog do Gilberto Lima – Fontes do blog, com acesso a informações de bastidores da Câmara Municipal de São Luís, revelam que o clima é de preocupação e apreensão entre vereadores, por conta da intensificação das operações de combate à agiotagem no Maranhão.

Nos últimos dias, a polícia tem focado nas investigações de gestores e ex-gestores públicos envolvidos com agiotas responsáveis por montar esquemas de desvios de recursos públicos por meio de empresas fantasmas ou de possível superfaturamento de obras.

Algumas investigações desse esquema foram iniciadas à época do desdobramento do assassinato do jornalista Décio Sá, quando a polícia encontrou cheques de prefeituras em poder agiota Gláucio Alencar, apontado como mandante. A partir dali, a polícia descobriu uma rede de agiotas que age junto a diversas prefeituras. Todos os envolvidos deverão ser alvos de operações da polícia.

Nessa onda de combate à agiotagem, pode sobrar para os vereadores supostamente envolvidos no rombo de R$ 30 milhões do Bradesco. Uma investigação foi iniciada pela polícia civil, mas foi paralisada por algum motivo. Pelas informações obtidas pelo blog, a determinação é retomar todas as investigações de casos de agiotagem, o que preocupa alguns vereadores. Se isso ocorrer, supostos envolvidos podem até ficar sem condições de disputar a reeleição.

Investigações iniciadas em 2013

Em dezembro de 2013, o delegado responsável pelo inquérito, Augusto Barros, estimava que as irregularidades na concessão de empréstimos poderiam ter movimentado cerca de R$ 30 milhões e envolviam pelo menos 14 vereadores da Câmara Municipal de São Luís. Segundo ele, o número de políticos envolvidos, porém, poderia subir e abranger até deputados estaduais.

O esquema estaria na ativa há anos. Segundo as investigações, funcionaria da seguinte forma: vereadores pediam empréstimos consignados a uma funcionária do Bradesco, banco que tem a conta oficial da Câmara Municipal. Para tanto, apresentavam nomes de funcionários do Legislativo. O dinheiro seria repassado para esses laranjas, mas eles não precisavam pagar. Os próprios vereadores se encarregavam de fazer os repasses para quitar os empréstimos. No entanto, como a taxa de juros cobrada nos consignados é muito baixa, cerca de 2%, os vereadores aproveitavam o dinheiro barato para emprestar para terceiros, cobrando taxas muito maiores, de aproximadamente 7%. A diferença era o lucro do grupo.

Entre os suspeitos de integrar a quadrilha estão Isaías Pereirinha (PSL), agora ex-presidente da Câmara, que decidiu se afastar depois de cinco anos de mandato, e o atual presidente, Astro de Ogum (PMN), vice à época do escândalo.

À época, o juiz titular da 7ª Vara Criminal de São Luís, Fernando Luiz Mendes Cruz, decretou a prisão da ex-gerente do Bradesco Raimunda Célia Moraes da Silva Abreu. Raimunda seria a principal operadora do esquema, segundo a Polícia Civil. A ex-gerente é considerada peça-chave para esclarecer a participação de cada um dos investigados.

O delegado Augusto Barros chegou a dizer ao jornal O Globo que o esquema tinha potencial bombástico e que havia indício que apontavam para a participação de 14 vereadores, mas que a investigação se estendia a todos os 31 parlamentares da Câmara Municipal. O delegado chegou a pedir a quebra de sigilo bancário de 13 pessoas.

O delegado acrescentara que foi a partir da investigação da morte do jornalista Décio Sá que a polícia chegou a essa quadrilha que atua na Câmara de São Luís.

À época, o Bradesco esclareceu que estava acompanhando o assunto e não deveria se pronunciar enquanto as denúncias não tiverem sido esclarecidas pelos órgãos competentes, por envolver questões que envolvem sigilo bancário.

Um cheque assinado por Pereirinha

Em fevereiro de 2014, o blog teve acesso à cópia do cheque nº 000364-6/Bradesco, da conta-corrente da Câmara Municipal de São Luís, no valor de R$ 1.163.500,00, que estava em poder de um ‘empresário’ de São Luís. O documento pode ser a principal prova de uso indevido de recursos da Câmara em esquema de ‘agiotagem’, investigado pela polícia maranhense.

O cheque estava assinado pelo presidente da Câmara, vereador Antônio Isaías Pereira Filho, e pelo diretor financeiro, José Almir Valente Costa. Esse cheque teria sido repassado ao empresário pela então gerente do Bradesco Raimunda Célia, intermediária da negociação entre ele e o comando da Câmara.

A transação ocorreu poucos meses antes de estourar o escândalo dos empréstimos, que resultou na demissão da gerente do Bradesco, Raimunda Célia de Abreu.

Datado do dia 28 de novembro de 2013, o cheque foi depositado em conta-corrente de uma empresa CONSTRUSERV, mas foi devolvido por ter sido sustado ou por falta de fundos.

Pelas informações passadas ao blog, esse montante ‘emprestado’ ao presidente da Câmara teria sido depositado em contas de pessoas indicadas por ele.

Depois da denúncia feita no blog, a dívida teria sido saldada com o empresário.

Licitação para contratar novo banco

Com relação desgastada com o Bradesco, a presidência da Câmara decidiu fazer licitação para contratação de um novo banco.

O presidente Astro de Ogum ressaltou que desde que assumiu o comado da Casa, há dez meses, tem envidado esforços para conduzir o processo administrativo com ‘lisura e transparência. Por isso, decidiu que a contratação de instituição financeira para administrar as contas da Câmara, assim como outras prestações de serviços ao legislativo municipal, deverá ser feita através de licitação.

E ninguém falou mais falou do esquema de agiotagem na Câmara. Será que a polícia vai retomar as investigações? Supostos envolvidos estão com medo de prisão.

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