Processos movidos em 2006 pela coligação do senador José Sarney (PMDB-AP) resultaram em mais de R$ 1 milhão em multas a uma blogueira. Com juros e correção monetária, o valor hoje ultrapassa R$ 2 milhões, segundo a defesa dela.
Como Alcinéa Costa, 57, não tem bens, a Justiça Eleitoral do Amapá determinou, em primeira instância, o bloqueio da conta bancária dela, pela qual recebe R$ 5.000 mensais de aposentadoria como professora. O advogado recorreu e, por isso, ainda não houve o bloqueio.
O senador José Sarney disse que nunca a processou. Segundo ele, a ação foi movida pelo advogado do PMDB-AP.
A jornalista diz que o primeiro processo foi motivado pelo comentário de um internauta em seu blog.
A Justiça determinou que a publicação fosse retirada do ar. A blogueira cumpriu, mas comentou a decisão, o que lhe rendeu outro processo. A página foi retirada do ar, mas Alcinéa comentava o andamento do processo em outro blog e era acionada a cada publicação.
“A desproporção das punições acaba inviabilizando a atividade profissional”, disse Celso Schröder, da Federação Nacional dos Jornalistas.
Na última segunda-feira, 22 de abril, José Sarney de Araújo Costa, ex-presidente da Arena, fez uma declaração antológica quando de sua passagem em Porto Alegre. O acadêmico, literato, controlador de mídia, bacharel de direito e senador da república (PMDB/AP) afirmou que as instituições políticas brasileiras remontam ao século XIX.
Ao caracterizar esse arcaísmo, fundamenta ser muito difícil a aprovação da reforma política. Poucas vezes uma fala descompromissada cumpriu o papel de auto-análise como nesta ocasião.
Desnecessário traçar aqui uma pequena biografia do político oriundo do PSD maranhense, que após desentendimento com um cacique local, integra a ala bossa nova da UDN – então capitaneada nacionalmente por Carlos Lacerda – fazendo de si e sua família ampliada um fiel e valoroso braço civil da ditadura militar.
Surpreende a afirmação acima pela sinceridade. Se há alguém que remonta as piores tradições do mandonismo brasileiro, onde a fronteira entre o bem público e o usufruto particular é nula, este é o ex-presidente do Senado.
Consideremos que nosso país nasce desta tradição evocada no início do século retrasado, quando os proprietários de escravos – “nobres” parlamentares se auto-representando – concordaram com a unidade territorial do Império em troca da manutenção da escravatura. São estes os predecessores dos coronéis brilhantemente descritos por Victor Nunes Leal e cuja versão contemporânea encarna em personagens da estirpe do escritor de Marimbondos de Fogo.
Sarney não é um sobrevivente e tampouco um equilibrista. Ele é a personificação da política profissional brasileira, tendo a mais longa carreira em atividade no Brasil. Tamanha é sua desenvoltura na função que inspira livros de investigação jornalística e de análise institucional.
Toda vez que tenho de materializar o conceito de cultura política paroquiana, fisiológica, patrimonialista regida por relação de clientela, o candidato a vice de Tancredo Neves no colégio eleitoral ganha presença em sala de aula. A cada semestre, ao ter de abordar o tema da transição democrática e do pacto intra-elites inspirado na mudança de regime na Espanha, o ex-governador do Maranhão e presidente da república sem haver sido eleito, é citado.
Sarney é quase onipresente, tendo apoiado a ditadura e com participação em todos os governos centrais do país de 1985 até o presente. Se alguém personifica a permanência das relações políticas do século XIX no Brasil, este é o maranhense senador pelo Amapá.
Por Zatonio Lahud
Hoje é aniversário do imorredoiro José Sarney, o maior símbolo de patrimonialismo, oportunismo, clientelismo, nepotismo e tudo quanto é “ismo” que possa haver de ruim e nefasto em solo pátrio.
Uma figura grotesca, que de borra-botas da ditadura militar, virou aliado de um governo de esquerda. Se tivéssemos um governo maoista, Sarney iria apresentar uma foto sua ao lado de Mao Tsé Tung, comandando a Grande Marcha. O negócio dele é estar no poder. Não importa qual poder, desde que possa se beneficiar das benesses proporcionadas aos bajuladores de sempre.
Em sua certidão de nascimento consta que nasceu em 1930, mas descobrimos que, em verdade, a triste figura veio ao mundo em 24 de Abril de 1500, dois dias após o “descobrimento” do Brasil. Segundo testemunhos da época, ao levar o tradicional tapinha na bunda ao nascer, Sarney não chorou, apenas disse: “Eu quero mamar!” E nunca mais largou uma teta.
Parabéns ao Sarney! Pêsames ao Brasil!
Com informações da UOL
O ex-presidente da República e do Senado José Sarney (PMDB-AP) afirmou, em entrevista ao jornal “O Imparcial”, que não pretende se aposentar e garantiu que fará política o resto da vida.
Na entrevista, o senador também falou sobre os valores a que se dedicou em sua carreira e afirmou que, se pudesse voltar no tempo, não entraria na política.
“Se eu nascesse hoje, não entraria na política, mas não posso dizer aos meus filhos, que nasceram nesse tempo, que não o façam. A política nos proporciona o pensar coletivamente, com a possibilidade de melhorar a sorte das pessoas da sua cidade, do seu município, do seu Estado, do seu país e da própria humanidade. Só se faz política com espírito público, com devoção, com fé, como se fosse uma religião. Para isso, são necessários sacrifício, paciência e dedicação”, afirmou.
“Aos 80 anos, o futuro, como dizia Eliot, é o presente, e, dentro do presente, estão o futuro e o passado. Não penso em me aposentar nunca. Até o fim da minha vida, trabalharei todos os dias nas duas vertentes que constituí na minha vida: a política e a literatura”, disse o senador, que completa 83 anos nesta quarta-feira (24).
Uma árvore cresce entre os dormentes da Ferrovia Norte-Sul. A planta avança bem. O capim também é promissor e começa a encobrir os trilhos. Aos poucos, a vegetação investe sobre a malha da ferrovia, mas não encobre a profusão de problemas em que se transformou o mais importante projeto ferroviário do país.
O trecho de 855 quilômetros da Norte-Sul, que liga a cidade de Palmas (TO) à Anápolis (GO), teve suas obras retomadas em 2007 pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, depois de passar 20 anos no limbo durante os governos anteriores. Lula sacou R$ 4,2 bilhões dos cofres públicos e depositou na estatal Valec, que prometia entregar todo o traçado até outubro de 2010. Até hoje, nenhum trem passou pelo trecho. No caminho da Norte-Sul, o que se viu foi um festival de contratos aditivados por até 17 vezes, projetos de engenharia deficientes, casos frequentes de superfaturamento e obras mal executadas, uma farra que, em 2011, levou a Norte-Sul para as páginas policiais.
O Valor visitou alguns trechos da ferrovia que foram minados por esse entrevero. Em Anápolis, um túnel de 360 metros de extensão foi entregue, mas a malha de ferro que deveria passar por ele, não. Ficou para trás um ramal de aproximadamente 7 km para ligar a linha até o porto seco de Anápolis. Hoje, na prática, o trecho liga nada a coisa nenhuma. Os sinais do tempo começam a surgir. Nos taludes de concreto que sustentam a entrada e a saída do túnel já é possível ver rachaduras causadas por plantas e infiltrações das chuvas.
A cerca de 100 km dali, no município de Jaraguá, o traçado da Norte-Sul previa a instalação de um pátio logístico, local que seria usado para o transbordo da carga. O que existe é um acesso por terra, sem nenhum tipo de instalação. Donos de chácaras já cercaram a linha da ferrovia de um lado a outro, com arame farpado, para delimitar a área de pastagem de gado.
Nos dormentes instalados no trecho, mais um flagrante da falta de planejamento. Até determinado ponto dos trilhos, as peças de concreto instaladas possuem presilhas de ferro que seriam usadas para prender uma terceira linha dos lingotes de aço. Esse recurso permitiria o tráfego de trens com diferentes bitolas. Acontece que, no metro seguinte, foram instalados dormentes simples e sem essas presilhas, ou seja, só um tipo de composição pode passar por ali.
A realidade desse trecho da Norte-Sul está bem distante daquela que se vê nos balanços oficiais da Valec. Nos papel, todos os contratos com as empreiteiras foram concluídos e muitos trechos são dados como 100% entregues pela estatal. Apesar de uma parte significativa da obra estar contaminada por problemas estruturais – sem contar etapas não cumpridas -, a execução financeira desses contratos já chega a 98%, um índice que, teoricamente, deveria indicar que o empreendimento está praticamente pronto. Longe disso.
O Tribunal de Contas da União (TCU) acaba de fazer uma vistoria no traçado da Norte-Sul entre Anápolis e Uruaçu. Achou 280 km de problemas. A conclusão dos auditores é de que as obras entregues até agora “não configuram um produto pronto face à dilapidação promovida no escopo original do trecho”.
A análise aponta que, mesmo se forem desconsiderados os erros que só afetarão a ferrovia ao longo do tempo – como deficiências provocadas pela falta de drenagem, aterros mal construídos e ausência de proteção vegetal – ainda há um trecho de 88 km de malha sem acabamento final na superestrutura dos trilhos, além de um desvio de cruzamento e um corte de 840 metros de traçado que não foram executados. Outros quatro pátios precisam sair do papel, além dos 7 km de trilhos que levam até o porto seco de Anápolis.
Como já ocorreu em auditorias anteriores, o TCU voltou a encontrar superfaturamento – desta vez, de R$ 27 milhões – e uma infinidade de materiais estocados inadequadamente ao longo do traçado. “A descrição detalhada da situação de cada lote indica que as obras estão longe de serem entregues de forma que atinjam a finalidade a que se destinam”, disse o ministro relator do processo no TCU, Aroldo Cedraz, após analisar o relatório.
No ano passado, a Valec chegou a fazer um levantamento detalhado da situação entre Palmas e Anápolis. Sua conclusão foi alarmante: pelo menos 210 km de extensão já construídos – 25% do trecho analisado – teriam que passar por intervenções.
A Norte-Sul é uma obra crucial para viabilizar o bilionário pacote de concessões de ferrovias que o governo pretende leiloar no segundo semestre. A maior parte dos 12 trechos que serão oferecidos à iniciativa privada está diretamente ligada a seu traçado e depende dele para cortar o país por todos os lados. No ramal de Anápolis, por exemplo, a Norte-Sul vai se conectar à malha da Ferrovia Centro-Atlântica (FCA), uma rede com mais de 8 mil km de extensão, que atravessa Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Sergipe, Goiás, Bahia, São Paulo e o Distrito Federal. A questão é saber quando, de fato, essa malha fica pronta.
Lançada durante o governo do então presidente José Sarney, a Norte-Sul atravessou duas décadas de abandono e passou por dois governos de Fernando Henrique Cardoso tendo avançado ínfimos 215 km. Em 2007, com o lançamento do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), o projeto foi retomado por Lula. Naquele ano, a mineradora Vale pagou R$ 1,4 bilhão para ter exclusividade na operação de um trecho de 719 km, entre os municípios de Açailândia (MA) – onde se conecta à Estrada de Ferro Carajás – e Palmas. Esse traçado foi entregue e hoje é utilizado pela empresa.
O plano de concessão retirou da Valec a meta de levar a rede de Açailândia até o porto de Vila do Conde, em Barcarena (PA). Agora, essa parte ficará à cargo do investidor privado. Na Valec, permanece a missão de estender a malha até Estrela D’Oeste (SP). A linha de 680 km tem obras em andamento. Até o ano passado, seu prazo de conclusão era julho de 2014. Com 2.244 km de extensão e orçamento total de US$ 6,7 bilhões estimado pelo Ministério da Fazenda, a Norte-Sul é hoje a sétima obra de transporte mais cara do mundo. (Colaborou Ruy Baron)
O ex-presidente do Congresso, José Sarney, disse que, ao deixar a presidência da Casa, iria tirar quatro meses de férias para descanso. Na verdade, o presidente não cumpriu com a palavra e deixou o primeiro suplente, Jorge Nova da Costa, a a ver navios.
Sarney, quando disse que iria tirar férias, tinha como motivo fazer o exame de DNA. Uma mulher buscava paternidade na Justiça.
O resultado, que o ex-presidente Sarney já sabe, como suspeitava, deu positivo. Nos próximos dias, ele será chamado às barras da Lei para assumir e reconhecer a filha bastarda.
Agora, surge mais uma herdeira que, não só ganhou patrimônio, mas também pode disputar o espólio político.
A filha bastarda também herdou do pai o buço mais famoso da república e como diz o ditado nordestino, mulher de bigode nem o diabo pode.
Não vai ser em 2014 que o Senado Federal se verá livre do oligarca maranhense José Sarney (PMDB).
Apesar das declarações contrárias à imprensa, o senador amapaense vai sim concorrer à reeleição.
E para isso tem agido de acordo com a orientação dos consultores da Prole Consultoria em Marketing – empresa contratada pelo Senado para ajudá-lo a mudar de imagem.
O levantamento feito pelos técnicos da Prole recomenta que Sarney invista no seu lado “democrata e intelectual” para amenizar o impacto dos inúmeros escândalos em que ele esteve envolvido nos últimos anos.
O blog do Sarney, a licença de 120 dias para se dedicar à biografia e a exposição “modernidade no Senado Federal” – realizada no início do ano – são ações nesse sentido.
Portanto, no que depender da vontade do último oligarca do Brasil, não será dessa vez que ele vai pendurar a chibata.
Só falta acertar com o eleitorado do Amapá!
A aliança entre José Sarney e Renan Calheiros ficou abalada. Sarney não gostou de Renan ter anunciado cortes na estrutura do Senado, assim que o sucedeu na presidência. Preferia que Renan tivesse esperado alguns meses.