O jornal Valor Econômico destacou mais uma vez a insatisfação de Roseana Sarney (PMDB) com o Partido dos Trabalhadores.
Segundo reportagem divulgada hoje no site do jornal, a governadora anda revoltada com a inclinação do PT em apoiar a candidatura de Flávio Dino para o governo do Maranhão em 2014.
A direção nacional do partido, em especial a própria presidente Dilma Rousseff, simpatiza com o apoio ao presidente da Embratur.
As negociações nacionais entre a legenda do Lula e o PCdoB estão bem adiantadas, e são avalizadas pelo diretório estadual do PT, que também se sente alijado do governo Roseana Sarney.
Em recente reunião com companheiros no interior do estado, o vice-governador Washington Macaxeira (PT) já avisou que não vai aceitar ser encurralado em cargo no Tribunal de Contas do Estado.
PITI
No fim do mês passado, Roseana deu o maior chilique em um jantar na casa do vice-presidente Michel Temer, criticando a falta de atenção de Dilma com o Maranhão. O piti foi destaque na imprensa nacional.
De acordo com nota à imprensa enviada pela Secretaria de Comunicação do Estado, a governadora foi a Brasília cobrar a conclusão de obras como a Refinaria da Petrobrás, recuperação do aeroporto Marechal Cunha Machado e duplicação da BR 315 [sic], de responsabilidade do Governo Federal.
Desesperada com a derrota que se aproxima em 2014, a governadora Roseana Sarney começou a comprar a eleição do ano que vem.
A ação remete ao lamentável episódio de 2010, em que a mandatária do Maranhão liberou, na véspera da campanha de sua reeleição ao governo do estado, cerca de R$ 1 bilhão para prefeitos aliados. O processo de cassação movido contra ela no Tribunal Superior Eleitoral é fundamentado exatamente nesta farra de convênios.
O governo da oligarquia tem firmado convênios milionários com associações e entidades fantasmas, para a realização de obras que nunca saem do papel. A farra com o dinheiro público é financiada com os recentes empréstimos bilionários obtidos por Roseana Sarney com o BNDES.
Além disso, as secretárias e órgãos públicos do estado também têm sido usados para acomodar políticos e lideranças comunitárias do interior do estado. No Diário Oficial do Estado é possível constatar a nomeação de vários candidatos a prefeitos e vereadores derrotados nas eleições de 2012.
São cada vez mais desesperadoras as perspectivas do clã Sarney para as eleições de 2014. Como se já não bastasse a vantagem astronômica do presidente da Embratur em relação a candidatura oficial ao governo, agora Roseana Sarney tem que enfrentar mais um agravante: o fato de ser superada pelos pré-candidatos da oposição ao Senado.
Sondagem de intenção de votos contratada pela oligarquia mostra a governadora com apenas 40% na preferência do eleitorado, atrás de nomes como Roberto Rocha (PSB), Zé Reinaldo Tavares (PSB), Eliziane Gama (MD) e Domingos Dutra (PT/Rede), que juntos chegam fácil à casa dos 45%.
Os números caíram como uma bomba na cabeça da filha de José Sarney, que não consegue reverter a tendência de queda nem com o fiascante “Governo Itinerante” – movimento que percorre o interior do estado na tentativa de promover ela e Luís Fernando Silva.
A rejeição a Roseana, somada a fatores como a insatisfação do povo maranhense e competitividade dos quadros da oposição, preocupa aliados, que tentam a todo custo dissuadi-la da ideia de abandonar o governo para concorrer ao Senado. Consideram suicídio eleitoral. O próprio Picolé de Chuchu já bateu o pé e condicionou a sua candidatura à permanência dela no Palácio dos Leões.
Para os analistas palacianos a conta é simples: como apostar na viabilidade de Roseana se quem leva vantagem na disputa à sucessão se apoia em um discurso que atinge em cheio as administrações dela?
Eles consideram que a definição em torno de um único nome apoiado por Flávio Dino fortalecerá ainda mais a oposição, expondo a governadora ao risco de ser duplamente humilhada nas urnas.
O Palácio dos Leões faz e refaz as contas todos os dias e vê um cenário perigoso em 2014: a possibilidade de perder as eleições para o Governo do Maranhão.
Mesmo com toda a força da máquina administrativa e dos expedientes heterodoxos na guerra eleitoral, a oligarquia Sarney se vê diante daquilo que fere, destrói e mata – a derrota.
O ocaso do coronel e da aristocracia parasitária que infelicita o Maranhão pode estar perto do fim.
O que fazer?
Atacar o adversário principal – Flavio Dino (PCdoB) – de todas as formas e com todas as armas.
A última ofensiva contra Dino transformou um palito de fósforos em espetáculo pirotécnico. Um fogaréu varreu a mídia porque o comunista teria alterado a agenda de trabalho na Embratur.
Há nesse episódio um certo desespero com a presença de Flavio nos municípios, onde realiza os Diálogos pelo Maranhão, reunindo cada vez mais gente.
Agora resolveram fiscalizar a agenda de Flavio, nesse estado onde tudo pode, menos a oposição se mobilizar na pré-campanha.
As pesquisas favorecem Flavio e os leões do palácio da praça Pedro II começam a operar.
O primeiro sinal foi dado quando a governadora Roseana Sarney (PMDB) deslocou o chefe da Casa Civil, Luis Fernando Silva, para a secretaria de Infra-Estrutura, colocando-o na linha sucessória da oligarquia.
Roseana tenta construir a imagem de Luis Fernando como um tocador de obras e acrescenta nos filmes publicitários aquelas velhas mentiras sobre mudança, revolução, melhorias etc e tal.
O segundo sinal é midiático: a propaganda ilusionista – a única coisa que os vários governos de Roseana Sarney sabem fazer bem e obter lucro.
O Maranhão talvez seja o único lugar do planeta onde a publicidade institucional tem dois ganhadores separados pelo mesmo balcão. A governadora Roseana paga para veicular os filmes e spots publicitários nas próprias empresas da família dela.
Os interesses do governo misturam-se aos negócios privados da oligarquia. No dinheiro do Maranhão só não vale o interesse público. Este é sonegado, vilipendiado, desprezado e esmagado.
É a morte da política.
O terceiro sinal, talvez o mais forte, é o entendimento para garantir novamente o apoio do governo Lula/Dilma (PT) ao projeto de manutenção da oligarquia no Maranhão.
Lula mandou Zé Dirceu na frente. O todo poderoso condenado à cadeia veio com dois objetivos: passar a velha conversa fiada na militância iludida do PT e acertar com Roseana a política real, qual seja: o candidato da governadora terá o apoio e o tempo de propaganda petista.
Com as máquinas federal e estadual, mais a propaganda intensa, José Sarney (PMDB) comanda a guerra total contra as oposições lideradas por Flavio.
Blog do Garrone
Edison Lobão resolveu ignorar de vez os desejos de Roseana Sarney e iniciou sua pré-campanha ao governo do Estado por Imperatriz, onde ele ministro das Minas e Energia, anunciou a duplicação da BR-010, no trecho do perímetro urbano da cidade, acompanhado de vinte prefeitos da região tocantina.
Matreiro como ele só, Lobão antecipou-se ao ministro dos transportes, César Augusto Rabello Borges, que ainda vai anunciar formalmente a obra orçada em R$ 200 milhões nos próximos dias em Imperatriz; e acabou com festa que o governo iria fazer com Luís Fernando, outorgando-lhe até uma possível paternidade.
O troco veio na edição do jornal O Estado do Maranhão, de propriedade da família Sarney, nesta quinta-feira, que ignorou completamente a passagem de Lobão por Imperatriz, onde participou da criação do diretório jovem do PMDB.
E olhem que o PMDB é o mesmo partido de Roseana e Luís Fernando !
O anúncio de uma obra desse porte e importância mereceria destaque de primeira página em qualquer matutino se não fosse levado em conta os interesses políticos que por lá se escondem.
Ainda mais quando se trata de duplicação de BR!
Reservaram para Lobão a página dois do jornal, sem também destacar na manchete o anúncio da obra, mas um tal sentimento de grupo de que ele estaria disposto a acatar qualquer decisão partidária para 2014.
Mas disse isso mostrando sua força na região e anunciando uma obra importante logo em Imperatriz, onde Roseana e Luís Fernando conquistaram o prefeito Sebastião Madeira com um conjunto orquestrado de obras.
Mostrou que tem o domínio do PMDB local, deixando Luís Fernando de fora da festa peemedebista e com o dedo na boca diante dos vinte prefeitos que com ele estavam a tiracolo.
Agora se forem dizer que a ausência do ministro Lobão na primeira página do matutino da família não foi por questões políticas, talvez passe a acreditar que a decisão de excluí-lo seja do Jornalismo.
Afinal, como destacar em primeira página de um jornal ao anúncio de uma obra feita pelo mesmo ministro que anunciou a refinaria da Petrobras em Bacabeira ?
Tudo então seria uma questão de credibilidade…
A eleição de 2014 pode ter uma novidade: a formação da frente reunindo os partidos de esquerda. Essa é a proposta do dirigente do PSTU Marcos Silva. Para a candidatura de governador, ele sugere o professor de Medicina da UFMA, Antonio Gonçalves, ou o sindicalista e professor da UEMA Saulo Arcangeli (PSOL).
Saulo já foi testado em outras eleições majoritárias. Antonio Gonçalves, ex-candidato a vereador pelo PSOL em 2012, pode ser uma grata surpresa. Se a frente vingar, o Maranhão vai ganhar no debate eleitoral. Marcos Silva pode ser candidato a senador.
Flávio Dino segue na cidade de Balsas e participa hoje da Jornada de Integração Legislativa, promovida Assembleia Legislativa Maranhão.
Além do presidente da Embratur, também participam do evento os deputados Arnaldo Melo, Rogério Cafeteira, Neto Evangelista, Alexandre Almeida e Edilázio Junior.
O comunista é só sorriso com a receptividade no interior do estado e com as articulações nacionais para agregar ainda mais partidos em torno do seu projeto de mudança no Maranhão.
Em entrevista ao portal Vermelho, o secretário nacional de organização do PCdoB, Walter Sorrentino, confirmou que as conversas sobre um possível apoio do PT nacional à candidatura de Flávio estão bem adiantadas.
‘Isso já foi conversado com o PT e com a própria presidenta Dilma e as negociações estão em curso. Esse é um grande pleito do PCdoB nacional, que a gente possa unir essas forças aqui no Maranhão’, disse Sorrentino ao site.
O PT proibiu a veiculação de críticas ao governo da família Sarney no Maranhão. O partido suspendeu a exibição de inserções partidárias na qual um dirigente petista fala dos péssimos indicadores sociais do Estado, mesmo sem citar diretamente o nome da governadora.
Sob pressão da direção nacional do PT, o presidente do diretório do Maranhão, Raimundo Monteiro, impediu que fossem ao ar cinco programas gravados pelo dirigente Marcio Jardim, que integra o comando nacional petista e a executiva estadual. Nas duas inserções partidárias que foram exibidas na televisão, Jardim elogia o crescimento do país durante os governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente Dilma Rousseff, mas diz que o “Maranhão continua ostentando os piores indicadores sociais do país”. “Somos os piores na saúde e na educação”, afirma o dirigente petista na inserção “Vivemos num estado de profunda insegurança, medo e violência, que aterroriza todos nós”, diz.
Depois das críticas, o petista defende a renovação na política maranhense. “Com o PT, haveremos de inaugurar um tempo de mudança, renovação e esperança para o Maranhão”, afirma Jardim, no programa gravado. Segundo o IBGE, o Maranhão tem a segunda maior taxa de mortalidade infantil do país e é o quarto Estado com maior taxa de analfabetismo.
As propagandas do PT estadual, veiculadas neste mês de acordo com o cronograma da Justiça Eleitoral, foram divididas entre as diferentes correntes petistas. Integrante do grupo majoritário, o presidente do diretório estadual alegou ter sido “surpreendido” com a inserção de Jardim, que é ligado à tendência Movimento PT, a mesma da ministra Maria do Rosário (Direitos Humanos) e do deputado Arlindo Chinaglia (SP). Monteiro reafirmou apoio a Roseana e desautorizou as críticas.
“Fui surpreendido com a veiculação de inserções de TV, cujo conteúdo faz críticas à administração liderada pela governadora Roseana Sarney. Não fosse pela contradição de o PT criticar o governo do qual faz parte, também não faz sentido investir contra uma liderança que tem apoiado desde o inicio o nosso projeto nacional”, afirmou Monteiro, em nota. O PT participa da gestão estadual com o vice e a Secretaria de Governo. Ao Valor, Monteiro disse que “não é elegante criticar o governo Sarney”. “Como vou questionar o governo se participamos dele?”, afirmou.
Jardim, no entanto, disse ter gravado a mensagem com o aval da direção petista e reclamou da pressão da família Sarney, que comanda o Estado há mais de 40 anos. “É surreal: eles não suportam 30 segundos de críticas. É um absurdo. Eles têm o monopólio da comunicação do Estado e não resistem a 30 segundos, um minuto de críticas”, disse.
A propaganda com críticas aos indicadores sociais do Estado foi veiculada na segunda-feira, mesmo dia em que o ex-ministro José Dirceu esteve no Maranhão, em evento com petistas, sindicalistas e movimentos sociais. Réu no julgamento do mensalão, Dirceu buscou apoio junto a petistas e Sarneysistas no Estado. No dia seguinte da visita, o presidente do diretório estadual determinou a substituição do programa de Jardim, que deveria ser exibido mais cinco vezes, segundo o dirigente.
Monteiro, no entanto, disse que Dirceu não pediu para tirar a propaganda. A exigência teria vindo do presidente nacional do PT, Rui Falcão, depois de ouvir reclamações de Roseana, segundo informações do comando nacional do PT. A reportagem procurou o governo do Maranhão na noite de ontem, mas até o fechamento desta edição não conseguiu contato.
A divergência dentro do PT do Maranhão sobre o apoio à família Sarney é antiga e foi reforçada em 2010, quando a maioria do diretório estadual decidiu apoiar a candidatura de Flávio Dino (PCdoB), atual presidente da Embratur, contra Roseana. O diretório nacional, no entanto, fez uma intervenção no Estado e determinou o apoio à reeleição da governadora.
Em 2014, a tendência do PT é manter o apoio ao grupo Sarney no Estado, segundo o presidente do diretório. “Temos uma aliança nacional com o PMDB. Nossa prioridade é a reeleição de Dilma. Nosso projeto nacional não pode ser interrompido”, disse Monteiro.
A família Sarney deve lançar o secretário estadual de Infraestrutura, Luis Fernando Silva. Na oposição, o nome mais forte é de Flávio Dino, cuja candidatura poderá servir de palanque para os pré-candidatos Eduardo Campos (PSB), governador de Pernambuco, e Marina Silva, ex-senadora e candidata derrotada à Presidência em 2010.
A deputada estadual Gardênia Castelo declarou esta semana que o ex-prefeito João Castelo está se preparando para novos desafios na eleição do próximo ano. Segundo ela, ainda não está certo a qual cargo, já que pode disputar até mesmo o governo do estado, porém o mais provável é que tente seu retorno à Câmara Federal.
De acordo com Gardeninha, Castelo está plenamente recuperado da decepção da eleição passada, quando não conseguiu a reeleição. Recolhido, ele estaria se dedicando a fortalecer o seu partido, o PSDB, e articulando estratégias com vistas ao próximo pleito.
A deputada disse que João Castelo está pronto para qualquer desafio, podendo até mesmo ser candidato a governador do estado ou a senador, além de deputado. “Ele só não pode almejar é disputar a Presidência da República, por questões óbvias, e deputado estadual, pois estava vaga é minha”. Ela ressalta, no entanto, que se ele quiser ela topa inverter a dobradinha, isto é, ele para estadual e ela para federal.
Castelo e sua filha deputada figuram entre os investigados pela polícia e Ministério Público pela participação no esquema milionário de agiotagem que atuava no Maranhão, desbaratado após a morte do jornalista Décio Sá. O ex-prefeito também é investigado pelo desvio de quase R$ 1 bilhão dos cofres públicos de São Luís.
Com informações do Imparcial
O ex-governador José Reinaldo Tavares (PSB) está convencido de que Flávio Dino (PCdoB) é o grande nome das oposições para vencer a eleição para o Governo do Maranhão em 2014.
Aos 74 anos de idade, o ex-governador gosta de analisar a conjuntura política do país e dedica especial atenção aos indicadores que revelam a real situação econômica e social do Estado. Com a experiência de quem conhece os dois lados do rio – governo e oposição –, Zé Reinaldo vê com desalento os resultados do governo de Roseana Sarney, mas ele não consegue esconder que é um grande entusiasta da campanha de Flávio Dino ao governo do Maranhão.
Em entrevista exclusiva ao Jornal Pequeno, Zé Reinaldo afirma que acredita que as oposições maranhenses, apesar de suas costumeiras divergências, estarão todas unidas em 2014 e esta unidade se dará em torno do nome de Flávio Dino.
“O Flávio é um homem preparadíssimo para ser o governador do nosso Estado e eu acho que ele tem diante de si a grande oportunidade de ganhar esta eleição, porque a população quer votar nele”, declara Zé Reinaldo. Eis a entrevista que concedeu ao JP:
Jornal Pequeno – O PSB enfrentou graves disputas internas nas últimas eleições. O senhor está bem no partido ou está cogitando sair dele?
José Reinaldo Tavares - O PSB é um partido que tem um candidato a presidente da República. Eduardo Campos, governador de Pernambuco, é um homem de muita tradição na política, muito inteligente, muito preparado e muito competente. Como governador de Pernambuco, ele vem fazendo um governo admirável. O salto que Pernambuco deu – um Estado que estava estagnado alguns anos atrás, vendo a Bahia avançar e o Ceará chegando perto. Hoje Pernambuco é o Estado líder do Nordeste.
De forma que eu vou ter uma conversa com o presidente do nosso partido, Eduardo Campos, e depois me decidir, ver o que eu vou fazer. Mas eu me sinto bem dentro do PSB, porque é um partido que não tem dono. Eu vejo muitas declarações de pessoas falando que o PSB vai fazer isto, vai fazer aquilo. O PSB, durante todo o tempo que estou lá, sempre decidiu as coisas no voto. Os componentes do PSB é que decidem os rumos do PSB. No momento, com a candidatura do Eduardo Campos, que é o presidente do nosso partido, quem manda no partido hoje é o Eduardo Campos. Ele vai precisar de um palanque aqui.
Então o partido estará com esta pessoa que formará o palanque para ele. Não tem dúvida nenhuma. Então não adianta a Roseana tentar levar o partido, alguns pensarem em agradá-la dizendo que vão levar o partido para lá. Porque não vai levar. Quem vai decidir é o Eduardo. E o Eduardo não vai ficar ao lado de Roseana, de maneira nenhuma. Porque Roseana vai apoiar a Dilma e o Eduardo vai ser uma outra candidatura. Pelo menos, é o que está esboçado até agora.
JP – Na sua avaliação, há um risco de o PSDB ir compor com o grupo Sarney em 2014?
José Reinaldo - O PSDB é um partido muito importante para a oposição. Sempre foi, sempre esteve junto da oposição. É o partido que, dentre os partidos da oposição, é o que tem o maior tempo de televisão, é o que tem maior estrutura no Estado. De forma que é um erro nós pensarmos numa campanha para governador, sem pensar no PSDB.
A meu ver, e se dependesse de mim, eu estaria trabalhando era para trazer o PSDB para fortalecer esta luta, com todos os outros partidos da oposição. Inclusive porque nós vamos precisar deste tempo de televisão. O governo virá com um tempo imenso. E a gente sabe que o governo mente muito na televisão. As propagandas deles não têm parâmetro na realidade. E nós precisamos de tempo para mostrar a realidade para a população.
Eu acho que a chave para conseguir que o PSDB esteja conosco é o ex-governador e ex-prefeito João Castelo. Ele é um grande quadro da oposição. Eu convivi com ele em 2006, sei da importância que ele teve para a vitória que obtivemos em 2006. Eu acho que a gente tem que deixar de lado as querelas de eleições recentes e passar a pensar no futuro, porque vamos precisar unir a oposição.
JP – A fusão do PPS com o PMN acrescenta algum fato novo à política no Maranhão?
José Reinaldo – Eu acho que esta fusão não vai ter efeito. Porque os partidos do governo acham que isto é prejudicial à campanha pela reeleição da presidente Dilma. E vão colocar todo tipo de empecilho. Não adianta um partido que não tenha direito a tempo de televisão e que não tenha direito ao Fundo Partidário. Então, não vai atrair ninguém desta maneira. E já passou uma lei na Câmara, que agora só falta ser aprovada no Senado, exatamente para impedir que esta fusão se materialize.
JP – Como o senhor analisa a disputa que vai se dar em 2014, no Maranhão, pela vaga ao Senado
José Reinaldo – O Senado é muito importante. Se eu tivesse sido eleito, por exemplo, em 2010, as coisas seriam muito diferentes aqui. Porque eu teria hoje um convívio muito grande com o governo federal, poderia influir e corrigir muitas das coisas erradas que são feitas aqui. Mas vejo aí um açodamento e eu até digo que estou aprendendo muito com política.
Porque o que se fala é que os candidatos ao Senado na eleição de 2014 foram escolhidos na eleição para prefeito em 2012. Eu nunca tinha visto isto. Quer dizer: estou aprendendo estas coisas inusitadas aqui no Maranhão. Eu não vejo o menor sentido nisto, mesmo porque nós não podemos ficar apenas com aqueles partidos. Nós temos que pensar é em ampliar a coligação. E estes cargos – de governador, de senador – tem de ser discutidos com todos os partidos que vão fazer parte da base do nosso candidato, que deve ser Flávio Dino.
Então, não vejo sentido neste açodamento agora. Se nós todos nos unirmos em torno do nosso candidato, o Flávio, que é muito forte, nós teremos chance de ganhar de qualquer pessoa aqui, para o Senado inclusive. Então, nós temos é que nos unir. Esta é a chave da vitória.
JP – O seu projeto para 2014 é sair candidato ao Senado?
José Reinaldo – Se for dentro deste quadro de composição, para fortalecer a candidatura do nosso candidato a governador, e uma composição entre todos os nossos partidos, e a aceitação de todos, eu irei, se for assim. Se não for assim, se for dividido, se for mais de um, aí nós não teremos chance nenhuma de eleger o senador, e a oposição vai se ressentir disto no futuro.
JP – O senhor acredita que a governadora Roseana Sarney irá sair candidata ao Senado?
José Reinaldo - Não tenho dúvida de que ela sairá candidata, por duas coisas. Primeiro: com a saída do Sarney do quadro político nacional, a família precisa de um senador ligado à base do governo, para defender os interesses comerciais, e todos os tipos de interesse da família. E também, se não tiver um senador da família, quem vai tomar conta da política é Lobão, que é o senador que terá mais quatro anos pela frente. E eles não pensam jamais em entregar para Lobão tudo aquilo que o Sarney há 50 anos vem fazendo. Não vejo nenhuma alternativa para Roseana que não seja sair candidata ao Senado.
JP – Então o senhor acha que o senador Sarney não será mais candidato?
José Reinaldo - Eu acho que o Sarney tem condições políticas, mas não terá condições eleitorais de ser candidato a senador pelo Amapá, em 2014. Hoje, lá no Amapá, além de João Capiberibe, cujo filho é o governador do Estado, há outro nome, que é o senador Randolfe Rodrigues, do PSOL, que é a grande liderança hoje do Amapá, e que acabou de eleger o prefeito de Macapá. E aqui no Maranhão, muito menos. O que trava o Sarney, pelo orgulho que ele tem e pela biografia que ele quer escrever, é que ele jamais encerrará sua carreira política com uma derrota. Para ele isto não cabe. De forma que eu acredito que ele não irá se expor a uma candidatura onde ele tem grandes chances de perder.
JP – E o senador Edison Lobão, ao seu modo de ver, ainda tem chance de sair candidato ao Governo do Maranhão?
José Reinaldo – Acho que o Lobão tem muitas chances. Não acredito que Luís Fernando vá se tornar realmente este candidato que o Jorge e a Roseana estão querendo fazer. Ele tem dificuldades na classe política. E eu estou vendo e estou sabendo, por meio de pessoas que são minhas amigas, que este governo itinerante, por exemplo, que foi feito para montar a candidatura do Luís Fernando virou um fiasco.
A governadora chega lá prometendo uma porção de coisas e assinando papéis. O pessoal bate palmas. Mas um político diz baixinho um para o outro: vou votar é para o Flavio Dino. De modo que eu não acredito nesta candidatura afastada de uma sensibilidade política maior. Acredito que o candidato do Sarney, se o Lobão tiver saúde, é o Lobão. Se o Lobão não tiver saúde, é o João Alberto. Eu acho que o Luís Fernando é o terceiro dentro da linha, mesmo porque ele divide muito. No próprio governo, há muitos políticos que não preferem Luis Fernando de maneira nenhuma.
JP – Quais são, de fato, as chances que Flávio Dino tem de se eleger governador do Maranhão?
José Reinaldo – Quando o Flávio Dino veio conversar comigo, à época em que eu era o governador em 2006, ele me disse que havia cumprido todo o ciclo, dentro da magistratura, e que como juiz ele ajudava uma pequena parcela da população no Maranhão, que entrava em demanda e que ele podia ajudar. E que como político – ele ainda não falava ainda no sonho de ser governador – ele podia ajudar muita gente, de uma vez. Confesso que não vi nele uma grande liderança política, naquele momento. Mas eu via nele aquele líder carismático, o estadista que o Maranhão estava precisando. O homem que veio da política estudantil e que se acostumou a fazer justiça. Aquilo estava e está imbuído nele. E o Maranhão precisa muito de justiça nas ações do governo.
De forma que eu acredito que o Flávio é um homem preparadíssimo para ser o governador do Estado e eu sempre o incentivei, sempre, a se candidatar a cargos majoritários, depois que ele se elegeu deputado, com um sucesso extraordinário no Congresso Nacional. Eu ia à Câmara Federal e todo mundo me falava dele. Ele ficou conhecido no Brasil inteiro. E hoje todo mundo sabe quem é o Flávio Dino.
Eu sempre o incentivei a concorrer às eleições aqui – para prefeito e para governador. De forma que com ele foi criada, durante todo esse tempo, pela própria presença dele na política, essa urgência que hoje a população tem pela renovação, pela mudança. Quem encarna isso, a única pessoa que eu vejo que realmente hoje encarna isso no Maranhão é Flávio Dino.