Geral

Quando a esquerda tem o tamanho da direita

Do blog do Kenard

As denúncias contra o ministro dos Esportes, Orlando Silva, veiculadas pelo jornal O Estado de S. Paulo abrem espaço para muitas discussões. Uma delas vai abaixo.

Assim que as denúncias vieram a público, um batalhão ecoou no twitter. Trata-se de um jornal conservador. A notícia é requentada. O ministro divulgou nota negando as denúncias. O PCdoB tem história de lutas.

Bom, é a tática velha de guerra de desclassificar o denunciante. Coisa da direita que a esquerda soube incorporar e revigorar como poucos. Era de perguntar: são contra o programa de proteção às testemunhas? Sim, porque boa parte delas é de participantes nos crimes que denunciam. Ou a denúncia que parte de um bandido não serve para incriminar outro?

O engraçado (trágico seria a palavra exata) é quando, por exemplo, o jornal O Estado de S. Paulo denuncia os Sarney. O eco nos blogues e no twitter não fala em jornal conservador. Interessante.

Nem quero entrar na questão do conservadorismo. A cultura de esquerda vê nos conservadores o demônio. Só para lembrar: nem todo conservador é de direita. E nenhum país maduro democraticamente tenta afogar a pluralidade de ideias.

O que não li, mas gostaria de ter lido:

– Queremos que as denúncias sejam apuradas. Provaremos que são infundadas.

Não, o caminho mais fácil é o que leva à desclassificação do denunciante, ainda que com frases ocas e chavões ideológicos (embora as duas coisas sejam uma só).

Eis uma forma velha e ultrapassada de fazer política. A mesma dos velhos caciques que a turma da desclassificação diz combater.

Só para lembrar o poeta: com o velho não se faz o novo.