Rio de Janeiro, 05 de agosto de 2012.
No twitter: @LigiaTex
Durante os últimos dias, você leitor, deve ter se sentido bombardeado com a quantidade absurda de pesquisas eleitorais despejadas por meio de blogs e disseminadas nas redes sociais ao sabor dos interesses dos candidatos à prefeitura da capital.
Impressionante: o número de pesquisas eleitorais nesta campanha aumenta num ritmo inversamente proporcional à credibilidade delas junto ao eleitorado.
Há muito tempo pesquisas deixaram de revelar a real intenção de votos do eleitorado para se transformarem em instrumento de engenharia social produzida para tentar deixar os candidatos bem posicionados para o momento em que o jogo realmente começará de fato, qual seja, o dia21 de agosto, data do início da propaganda eleitoral de rádio e TV.
É fato que o eleitor ludovicense ainda é bastante apegado à ideia do voto útil, de não “desperdiçar” sua participação no pleito, tendendo a acompanhar a “intenção de votos da maioria”.
Mas, é fato também, ser o ludovicense apaixonado por boatos e “intrigas de bastidores”, especialmente em época de eleição. Essa é talvez a razão mais relevante para que, apesar do caráter duvidoso, ainda haja interesse quase voraz pelas pesquisas divulgadas, sejam elas patrocinadas ou não por institutos com pouca credibilidade.
Em outras palavras: O eleitor médio de São Luís quer mais é ver o circo pegando fogo.
Isso não significa que o bom senso tenha ficado de lado. Abaixo enumero algumas questões que, talvez propositalmente, tenham sido deixadas de lado na avaliação dos “analistas políticos” e da mídia que faz tais pesquisas circularem:
* Não é possível avaliar o impacto de uma pesquisa eleitoral sem levar (muito) em conta o grau de instrução do eleitorado ludovicense. Nesse aspecto, há um abismo entre dois tipos de eleitorado, que classifico aqui arbitrariamente como: o tipo “classe média”, com grau de instrução maior, que tem acesso à internet e às redes sociais, carregando consigo, majoritariamente, a herança do oposicionismo histórico da capital. E o tipo “eleitor da periferia”, um imenso grupo social heterogêneo que costuma pautar sua participação no pleito de modo mais aleatório do que se imagina. É o almejado controle desse aleatório que justifica em parte a quantidade de pesquisas divulgadas nas últimas semanas.
* Os “analistas” esqueceram que o atual prefeito, João Castelo (PSDB), carrega consigo uma espécie de legado eleitoral, resultante da memória coletiva transmitida aos mais jovens e construída durante seu mandato de governador biônico (1979-1982). É um legado importante, formado por pessoas que votam em Castelo, sejam quais forem as circunstâncias. Em eleições majoritárias, isso significa algo em torno de 30%, e cuja musculatura fora anabolizada na eleição municipal de 2008 graças ao uso da máquina do governo estadual. Nesse cenário, o fato de ostentar a média de 30% em todas as pesquisas que tem sido divulgadas, pode significar que o atual prefeito foi abandonado pelos demais eleitores que votaram nele em 2008, a despeito de comandar a máquina municipal e garantir uma campanha, até agora onipresente nos bairros.
*Ignora-se, nas pesquisas, o fato de Edivaldo Holanda Júnior (PTC), supostamente empatado na segunda posição ao lado de Tadeu Palácio (PP), estar longe de ser um candidato de nicho, como João Castelo, que concentra seus votos junto ao eleitorado mais humilde da cidade ou do padrinho do petecista, Flávio Dino (PCdoB), que passeia com mais desenvoltura junto à classe média instruída. Holanda Júnior transita confortavelmente por setores mais plurais da sociedade. Nesse sentido, detalhar a intenção de votos por bairro, por exemplo, daria ao leitor uma ideia mais ampla da penetração dos candidatos.
* Omite-se o fato de que as pesquisas eleitorais são, antes de tudo, pesquisas de opinião e que num jogo político dinâmico como o nosso, elas refletem sensações profundamente atreladas aos acontecimentos do instante em que são realizadas. No frigir dos ovos, eleição ainda é algo distante na cabeça da maioria do eleitorado. É possível, inclusive que parte significativa da população ainda ignore completamente o quadro de candidatos. Nessas condições, pesquisa alguma pode assegurar a interpretação de um cenário seguro que aponte para este ou aquele resultado.
* O eleitor médio tem pouquíssima informação sobre o que acontece no universo da política. Nesse aspecto, quem já está no poder tende a contar, no início do processo eleitoral, com a vantagem de ser o mais conhecido pelos eleitores. Com o passar do tempo e o desenrolar da campanha, o eleitor tende a se orientar, para decidir o voto num repertório de informações que incluem a avaliação do governante que concorre à reeleição; o nível de lembrança dos candidatos; e no caso de uma eleição municipal, se eles se mostram convincentes para solucionar os problemas que afligem o eleitorado; além da popularidade e simpatia , itens que em geral não se transferem por meio de apadrinhamentos políticos ou apoios partidários.
* Por fim, deve-se dizer que uma parte considerável do eleitorado ludovicense é inseguro, conservador e imediatista. Está preocupado com a resolução de pequenos favores pessoais sem observar como devido rigor os interesses coletivos da cidade. Não sente-se confortável em votar num candidato que lhe pareça obscuro; tende a cair fácil no discurso oba-oba do já ganhou proliferado por candidatos que ostentam muita estrutura material de campanha e se sente mais confortável com candidatos que infantilizam o processo eleitoral, dando a ele um ar de festa e luta telecatch e não de um ato democrático.
A guerra de pesquisas eleitorais, portanto, está inserida no contexto dessa grande farra, do apego à especulação que dissemina boataria e transforma o processo num jogo alienado de fofoca sobre quem vai ganhar e quem vai perder, relegando a segundo plano o que realmente importa: As propostas dos candidatos para melhorar a qualidade de vida da população. Você leitor, já deve ter percebido que nesta campanha, até agora, ninguém se preocupou em mostrar claramente propostas ou um debate sério sobre as questões da cidade.
Assim, a guerra de pesquisas que tem marcado essa etapa da campanha, não passa de um desserviço à população, à democracia e aos próprios candidatos.
A semana que passou foi marcada por um ato histórico. Pela primeira vez o Supremo Tribunal Federal (STF) está julgando uma organização criminosa, cujo núcleo ainda está infiltrado no centro do poder da república. Não se trata de uma simples mesada ou caixa dois de campanha como o PT quer fazer parecer. O Mensalão transformou a corrupção que assola o país desde que as naus de Cabral aportaram por aqui, num episódio inédito de aparelhamento do Estado com vistas a eternizar um partido político no poder. É gravíssimo.
Pois bem, a imprensa petista, que mama nos cofres públicos para defender criminosos, vive denunciando a existência no país de um grupo de jornalistas pertencentes à direita conservadora e patrocinados por uma elite alienígena para atingir o Partido dos Trabalhadores. Assim, caberia ao Partido da Imprensa Golpista (PIG), fazer de tudo para apear do poder os pobres coitadinhos do PT.
Pois bem.
Caberia à revista VEJA – na cabecinha de caraminholas desses petistas – o papel de liderar uma tentativa de golpe dos meios hegemônicos de comunicação contra a democracia.
Costumo dizer que a revista VEJA, na verdade, é a grande responsável pela popularidade da Presidente Dilma.
Durante os sucessivos escândalos de corrupção envolvendo ministros no início do governo Dilma. VEJA pegava a bola no campo de defesa conduzindo-a até a grande área do time adversário e repassava de bandeja apenas para que a presidente Dilma desse o chute certeiro no gol. Foi assim semana após semana nos primeiros meses de governo Dilma, quando a presidente, graças à revista, matou dois coelhos com uma cajadada só: Construiu uma imagem de mulher intolerante com a corrupção e a livrou de aliados do ex-presidente Lula que no governo tentavam fazê-la agir de acordo com os interesses do ex presidente.
A prova de que ao contrário de golpista, a revista VEJA não passa de uma aliada astuta do governo, é a capa da edição deste domingo:

Na primeira semana do histórico julgamento do mensalão , Veja abre espaço para discutir a novela Avenida Brasil, da Rede Globo.
A capa fala por si. Numa revista cuja tradição jornalística é dar destaque aos grandes escândalos políticos do país, como explicar que a cobertura do julgamento do Mensalão, o maior escândalo político do país desde a era Collor, tenha sido relegado à condição de informação irrelevante e pior: que tenha perdido espaço de importância para uma novela da Rede Globo?
Simples. VEJA tem facilidade para denunciar nomes menores envolvidos em corrupção. Apesar de crítica em relação aos governos Lula/Dilma, a revista calcula direitinho o nível dos ataques.
Ignorar o julgamento do Mensalão faz parte dos cálculos. Parecer crítica, mas no fundo fazer o jogo do governo, cujo partido se arrasta no poder a quase dez anos.
Se isso for golpismo…
Eu sei, a aliança com Weverton Rocha é efeito de contingências da conjuntura política, dirão os holandistas pragmáticos.
Como você já deve ter percebido, a colunista aqui é simpatizante da candidatura do Deputado Federal Edivaldo Holanda Júnior à prefeitura de São Luís. Contudo, não posso me reduzir à condição de cabo eleitoral acrítica do candidato.
Não consigo digerir o suplente de deputado federal Weverton Rocha (PDT) e não vai aqui nenhuma desavença de ordem pessoal.
É que Weverton significa a tenebrosa possibilidade de que o futuro dos homens públicos do Maranhão seja tão tenebroso quanto é o presente.
Explico.
Jovem e oriundo da periferia, Weverton vai seguindo firme pelo caminho dos que em breve estarão cuidando do destino dos maranhenses. Até aí tudo bem.
O problema é que Weverton é um ladrão (sem eufemismos) dos mais venais que a política maranhense já produziu.
Sua presença num eventual governo de Edivaldo Holanda Júnior, não significa apenas a presença de mais um corrupto no poder. Significa que roubar, corromper, enganar e malversar dinheiro público, em vez de punição, gera premiação ao criminoso.
Seria um desastre em todos os sentidos, mas especialmente, provaria de vez às novas gerações que o crime compensa! Que a política maranhense continuará sendo tomada por oportunistas ambiciosos que metem a mão no dinheiro público sem o menor constrangimento.
Sim, a presença de Weverton Rocha como uma das principais lideranças da campanha petecista é um motivo e tanto para se pensar duas vezes antes de votar em Edivaldo Holanda Júnior.
Pessoalmente, prefiro pensar que, uma vez no poder, o amigo Edivaldo Holanda Júnior tratará de dar a Weverton o que é de Weverton e transformá-lo num personagem de menor envergadura numa eventual administração.
Para o bem das futuras gerações.
*Lígia Teixeira é Mestranda em Comunicação e Cultura na Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ) e Historiadora graduada na Universidade Federal do Maranhão (UFMA)
Não se deixe enganar pela midia. ” O suposto mensalão do PT, coisa que sempre aconteceu, acontece, e vai continuar acontecendo, em todos os partidos e em todas as instâncias, se transformou na única chance real de vitória ideológica da direita nacional desde a eleição do Lula.
Texto compleo em http://bit.ly/N7srGX
Onde está o PIG de vocês agora?
1- STF não foi criado para julgar em primeira instância – a espetacularização do julgamento corresponde em si mesmo a um evento politico. A direita brasileira, com notória falta de lideranças, se movimenta para um novo xadrez agregando-se à Procuradoria Geral da Republica e a uma ala do STF como tropa de elite para avançar sobre o territorio inimigo
2 O toque de batalha foi dado pela peça acusatoria do Procurador Geral que poderia ter dito tudo o que disse em um outro tom mas o fecho definitivo, o código de ataque foi o desnecessário, extemporaneo e inservivel pedido da expedição IMEDIATA dos mandados de prisão dos acusados. A que serve esse pedido? Serve como sinal de radicalização, pois como se pode pedir prisão antes do julgamento onde em tese todos podem ser absolvidos? Prisão em nome de que principio? Os reus por acaso estão interferindo no julgamento, estão ameaçando os juizes? Pedir prisão em função de que?
3 – …O mais grave é tornar a mais Alta Corte do Pais, um tribunal essencialmente constitucional e não primeira instancia de casos individuais, em juizo criminal. O STF não foi criado para ser juizo criminal de primeira e unica instancia. Não é seu papel, não é palco para esse tipo de feito, não deve ser usado como tribunal de exceção.
Nos bastidores, ministros apontam fragilidade na acusação do mensalão
A contundência da sustentação oral do procurador-geral da República, Roberto Gurgel, que incluiu pedidos de prisão de 36 dos 38 réus do processo do mensalão, não livrou seu trabalho de críticas reservadas de ministros do Supremo Tribunal Federal e de autoridades que acompanharam as investigações do escândalo.
“É uma denúncia para a galera”, disse uma autoridade que acompanha o caso desde o início. Segundo ela, o erro da acusação foi não ter imputado a Dirceu o crime de lavagem de dinheiro – o ex-ministro responde por corrupção ativa e formação de quadrilha. No Estadão http://bit.ly/OSRDTj
Não tenha dúvidas de que não só esse Weverton como muitos pilantras do PDT vão receber bem menos do que esperam nesse possível governo de E.H Junior, esse rapaz tem projeto, não é idiota, quer fazer história na política, se ganha essa eleição não só esse Weverton como vários bandidos do PDT vão se ferrar, pois estão achando que vão deitar e rolar.
Cara Lígia,
Parabéns pelo texto! O PIG foi uma sigla inventada pelo r jornalista Paulo Henrique Amorim, que depois que se desligou das Organizações Globo em 1997, teve de se sujeitar dentre outras coisas a ser funcionário do Bispo Edir Macedo na TV Record, e administrar um blog, Conversa Afiada, escrito em linguagem de quinta categoria. Beiram o ridículo as suas teorias e o suposto poder que teriam os membros do PIG. Tanto é assim que, há um bom tempo, o jornalista teve seu blog desligado do Portal IG, cuja composição societária majoritária é composta por fundos de pensão comandados pelo governo petista. Prova de que nem os seus patrões estavam satisfeitos com a qualidade do seu trabalho sujo e a surrealidade do tal PIG…
Palavras do Marelo Tas em sua página no Twitter:
@MarceloTas NENHUM candidato a prefeito/vereador tem meu apoio. Quem usa minha imagem é picareta. Nao vote por ex no @jcastelo45 http://twitpic.com/agmire
Comentarista Lígia Teixeira, assim como eu vc possui uma formação superior, logo entendo eu que deverias saber as consequências quando se usa o termo Ladrão, pois se ladrão que rouba e mata já possuem ganhos de causa por difamação e calunia imagina de quem está exposto publicamente sua vida pessoal. Logo quando afirma que o mesmo é Ladrão pergunto se baseasse em que se espanha pela mídia corrupta e oportunista para venderem mais ou através de fontes jurídicas transitadas e julgadas. Emitir um analise sobre determinados fatos é uma coisa completamente diferente de julgar e condenar rotulando quem vc bem entendi de ladrão. Guarde suas afirmações para vc para que não seja mais uma nos rols dos réus, que tentam se justificar o termo Ladrão porque ouvir dizer , mas não possuem documentos probatórios que justifique tal afirmação. Para teres ideia a Mídia fala dele se referindo ao Costa Rodrigues, mas ela não mostra que o dinheiro está com o empreiteiro que luta até hoje na justiça contra o Governo do Estado para concluir as obras e entregar para nossa população um dos mais modernos Ginásios da America Latina e que o mentor de tal paralisação das obras foi o então na época o secretário de Esporte o Dep. Roberto Costa, que aproveitou o momento para impedir o sucesso de uma possível candidatura federal de seu antecessor . Para maiores informações estou à disposição. No mais respeito seu e nosso direito de expressão de nossos pontos de vistas, mas nos limites que a lei nos deu, para que não sejamos tão infratores quanto os que imaginemos serem. Wennderrobertrocha.blogspot.com.br