Falando com Franqueza – por Lígia Teixeira
30 de outubro de 2011    |    às 2:33 pm    |    Postado por:     |    

Rio de Janeiro, 30 de outubro de 2011.

No Twitter: @LigiaTex

no e-mail: ligiateixeira@marrapa.com

 

“Não depende apenas de mim, mas me comprometo a falar com o presidente Lula, que é meu irmão, sobre a viabilização de uma refinaria de petróleo no Maranhão”

 Hugo Chávez, Presidente da Venezuela, em visita ao Maranhão em março de 2008.

Hugo Chávez, Wikileaks e a Amazônia Azul: Uma recolonização do Maranhão?

 

 

Hugo Chavéz: Neo-populista que quer ser o novo "sócio" do Maranhão.

 A imprensa brasileira entrou em alvoroço com a divulgação de novos documentos do site Wikileaks, que apontam o Jornalista William Waack, da Rede Globo, como suposto informante do governo americano.

A notícia repercutiu instantaneamente e virou tema dos principais debates do país na semana que passou.

Mais do mesmo.

Para quem não sabe, a Rede Globo foi implantada no Brasil em 1965 com dinheiro e apoio tecnológico dos Estados Unidos, ainda que a legislação da ápoca já proibisse entrada de capital estrangeiro na implantação de meios de comunicação brasileiros.

A Rede Globo nasceu sob a ótica de um projeto imperialista americano que desejava expandir os tentáculos dos EUA numa época de auge da guerra fria.

Por essa razão, não vi nada demais na informação revelada pelo Wikileaks.

Sobre a imprensa Brasileira e William Waack no máximo, documento revela que o governo Americano possui contatos importantes junto a imprensa dominante brasileira, mas isso em si também não é nenhuma novidade.

A questão é que, no calor das discussões sobre o envolvimento de Waak com os americanos, ficou em segundo plano o que considero o mais importante nos documentos revelados pelo Site de  Julian Assange.

E, acreditem, é coisa que atinge em cheio os interesses do Maranhão.

O documento divulgado pelo site Wikileaks, mostra a preocupação do governo dos Estados Unidos com a opinião dos brasileiros a respeito dos rumos da Amazônia Azul.

Para os americanos, a opinião pública brasileira  foi levada a crer que os EUA possuem  interesses nefastos em relação à Amazônia e à “Amazônia Azul”

E o que é a Amazônia Azul?

O Brasil possui uma extensa faixa costeira de mares em todo o litoral brasileiro, onde novas reservas de petróleo foram encontradas. Ela é chamada de Zona Econômica Exclusiva (ZEE) , mas ficou conhecida como Amazônia Azul . Trata-se de uma riqueza incalculável que é em grande parte a responsável pela percepção do Brasil como futura potência global.

É aí que nós entramos

O Maranhão encontra-se numa região privilegiada da ZEE.

Não é à toa que Sarney usa laranjas para se apossarem de extensas faixas de terras, justamente nos territórios que supostamente concentram  maior potencial petrolífero no Estado.

Mas isso é fichinha perto dos grandes interesses políticos e econômicos que envolvem a questão.

Os americanos se deram conta de que parte da imprensa brasileira foi convenientemente cooptada para fazer crer que os americanos se apossariam da Amazônia Azul, tal percepção de certa maneira colaborou para que outros ” interessados” se instalassem sobre as reservas petrolíferas da ZEE.

Ou seja, o buraco é mais embaixo.

O que o documento revelado pelo site Wikileaks mostra é uma disputa pela formação da opinião pública brasileira.

E convenhamos, quem venceu a disputa não foram necessariamente os prepostos dos interesses americanos, a despeito da polêmica toda em volta do caso Waack.

Senão vejamos:

Desde o governo Lula, a exploração de petróleo no Maranhão é convenientemente disputada pelo empresário Eike Batista, pela Petrobras e pelo governo venezuelano.

Em 2008, quando esteve no Maranhão, Chávez deixou claro os interesses da Venezuela em explorar o petróleo do Estado sem a intermediação da Petrobras.

Como se sabe, o governo Chávez é acobertado pelo PT, que tenta implantar na América Latina uma espécie de neo-populismo travestido de esquerda.

E como se sabe também, o neo-populismo Lulista-Chavista não tem nada de esquerda, ao contrário. O Governo brasileiro age de acordo com os interesses do mercado e o governo venezuelano se mantém economicamente chantageando os americanos, graças à sua capacidade de produção de petróleo.

São esses interesses que tem prosperado.

Por isso, a tentativa do PT e do governo do Maranhão em desmoralizar a matéria publicada pelo Jornal O Estado de São Paulo, dando conta da reunião realizada entre Roseana Sarney, Hugo Chávez e José Dirceu para articular a implantação de uma refinaria de petróleo no Maranhão que ficaria sob o controle da Venezuela e não da Petrobras.

Entenderam o esquema?

Obviamente, ninguém é inocente nessa história e no meio da disputa pela formação da opinião pública, parece que há um claro movimento para acobertar as negociações feitas em torno dos verdadeiros interesses do governo Brasileiro e Venezuelano na faixa Maranhense da ZEE.

Vejamos aqui uma amostra da raiva da imprensa de Sarney em relação à matéria do Jornal O Estado de São Paulo:

Blog do Décio Sá, dia 28/10/2011

Factóide do Estadão
Sem ter o que inventar, o Estado de S. Paulo  deu uma “barrigada” (notícia falsa, em jornalismo”)  na sua edição desta sexta-feira. Disse que a governadora Roseana Sarney (PMDB) conversou com o coronel venezuelano Hugo Chávez no sentido da petroleira PDVSA instalar uma refinaria no Maranhão. Coube ao ministro Edison Lobão (Minas e Energia) colocar por terra o factóide. “Não tenho notícias sobre isso. Eles não estão conseguindo sequer se associar com a Petrobrás para a construção da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Acho muito difícil fazerem uma nova refinaria sozinhos”, desmentiu.

Alguém aí acha que a reação furiosa da imprensa Sarneyzista ao assunto levantado pelo Estadão  foi pura casualidade?

O que acho sinceramente é que a cobiça pelo petróleo e o desejo de perpetuação pelo poder do PT e da família Sarney, falam alto em todo esse imbróglio.

Aguardemos.

Comentários

4 respostas para “Falando com Franqueza – por Lígia Teixeira”

  1. Fernando Antônio Farias de Azevedo disse:

    Sou doutor em Ciência Políticas pela USP e moro na cidade de São Carlos (SP). O caráter elucidativo desta coluna me trás a este sítio todos os domingos, quando aguardo ansioso por uma crítica saudável e sem paixões da cara escritora Lígia Teixeira.
    Muito bom o seu texto. Leitura obrigatória dos domingos.
    Um abraço,
    Fernando Antônio

  2. Guto Fraga disse:

    Só faltou a parte em que a nave espacial entra e leva todo mundo.
    Teoria da conspiração – a gente vê por aqui.

  3. Ligia Teixeira disse:

    Fernando, envie teu contato para meu e-mail: ligiateixeira@marrapa.com
    Obrigada pelas palavras.

  4. Júlia Prazeres disse:

    Cadê a Falando com Franqueza deste domingo? Não vai mais ter? Buá. Volta Ligia Teixeira.
    Bjos da tua fã amada.

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