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A pedido de Fernando Sarney, Estadão está sob censura há 570 dias

Com informações do Estadão e do Congresso em Foco:

Desde 29 de janeiro de 2010, o jornal Estado de São Paulo aguarda definição judicial sobre o processo que o impede de divulgar informações a respeito da Operação Boi Barrica, pela qual a Polícia Federal investigou a atuação do empresário Fernando Sarney. A pedido do empresário, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), o jornal foi proibido pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJ-DF) em 31 de julho de 2009 de noticiar fatos relativos à operação da PF.

A Operação Boi Barrica foi uma operação da Policia Federal Brasileira que investigou Fernando Sarney, suspeito de fazer caixa dois na campanha de Roseana Sarney na disputa pelo governo do Maranhão em 2006. Antes das eleições, ele teria sacado 2 milhões de reais em dinheiro vivo.

Fernando Sarney foi indiciado por formação de quadrilha, gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica. Todavia, nega todas as acusações.

Em consequência da operação, a Polícia Federal gravou ligações que mostram indícios de nepotismo praticados por Sarney, que entregou um cargo ao namorado de sua neta, juntamente com Agaciel Maia.

Ouça algumas das conversas captadas pela Polícia Federal durante a investigação:

Leia a íntegra do inquérito nos links abaixo:

Parte 1 – Introdução
Nesse trecho, os delegados Márcio Anselmo e Thiago Monjardim mostram o início da investigação sobre a São Luís Factoring. Eles questionam o fato de a empresa de fomento mercantil servir apenas para antecipação de capital de giro do próprio grupo Mirante de Comunicação. Para os policiais, não há sentido em uma empresa de factoring ter como único cliente o grupo que a controla.

Parte 2 – Da organização criminosa
Nesse trecho, a Polícia Federal acusa Fernando Sarney de ser o chefe de uma organização criminosa, conceito aceito no Brasil por força da Convenção de Palermo, em 2000, na Itália.

Parte 3 – Das atividades na área de energia
Nesse trecho, a Polícia Federal mostra interceptações de telefonemas e mensagens de correio eletrônico de pessoas ligadas à família Sarney, como o ex-ministro das Minas e Energia Silas Rondeau e o diretor financeiro da Eletrobrás, Astrogildo Quental. Segundo os policiais, os aliados de Fernando Sarney usam sua influência para “beneficiar os negócios do grupo” do filho do presidente do Senado, José Sarney.
Nesse trecho ainda, o relatório descreve as atividades de Aluízio Guimarães Filho, que, para a PF, é o responsável pelo vazamento ilegal das investigações à família Sarney.

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