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Vazamentos comprometem atuação da PF no MA

Não é de hoje que se ouve falar em vazamentos na Superintendência da Polícia Federal do Maranhão. Entra superintendente, sai superintendente, e o descaso da instituição com o sigilo de suas investigações é cada vez mais evidente.

Prova disso é o atabalhoado resultado da recente Operação Pegadores, desdobramento da Operação Sermão aos Peixes, desbaratada no mês passado pela recém-empossada Cassandra Parazi, nova comandante da PF no Maranhão.

Como se não bastassem os conhecidos equívocos que depõem contra a investigação comandada pelo delegado Wedson Cajé – como os casos da sorveteria, da risível lista de 400 fantasmas que não eram fantasmas, do bloqueio das contas bancárias de entidades médicas que atuam na rede estadual sem qualquer irregularidade e da incompetência da Polícia Federal em apurar a aplicação de recursos do tesouro estadual -, o vazamento de informações seletivas com o objetivo de atingir o governo de Flávio Dino (PCdoB) põe em xeque o que restou de credibilidade da operação criada com a intenção de desvios na Saúde do Maranhão.

A própria Sermão aos Peixes correu sério risco de ser comprometida pelos recorrentes vazamentos de agentes infiltrados na corporação, quando Ricardo Murad (PMDB), apontado como mentor da organização criminosa enraizada na Secretária de Saúde, adiantou no Facebook a informação de que seria alvo da operação envolvendo policiais do Maranhão e Tocantins, o que acabou por desmantelar toda a ação. Murad, evidentemente, não conseguiu escapar das barras da justiça, acusado de roubar R$ 1,2 bilhão em recursos da SES, mas teve tempo suficiente para destruir provas e criar álibis em defesa própria.

Após o episódio, a PF abriu inquérito para descobrir a origem dos vazamentos. A investigação culminou na Operação Turing, cujos alvos eram jornalistas e blogueiros que se beneficiavam de tais informações para praticar extorsão, causando embaraços aos investigadores. A ação, pelo visto, não desbaratou o esquema, uma vez que o modus operandi dos envolvidos continua o mesmo até hoje.

Na semana passada, um dos blogueiros indiciados pela Turing, que até se orgulha de ser o vazador oficial da PF no Maranhão, publicou um relatório montado com a intenção de justificar investigações contra o atual titular da SES, Carlos Lula. O documento, segundo o depoimento do advogado Antônio Aragão à própria PF, é falso, apócrifo e teria sido colocado na caixa de correio de sua casa por um estranho, pouco antes da prisão dele na Operação Rêmora, etapa anterior à Pegadores.

No momento em que se questiona a integridade e o uso político da Polícia Federal, principalmente por conta das relações do seu atual diretor-geral, Fernando Segóvia, com o oligarca José Sarney (PMDB), a delegada Cassandra Parazi, conhecida pelo rigor com que atuou no Grupo de Trabalho da Operação da Lava Jato da PF de Curitiba, precisa restabelecer a confiança dos maranhenses na instituição, sob o risco de ter sua conduta constantemente questionada e tornar-se uma eterna refém do Complexo de Cassandra.