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Documentário mostra que as mazelas do Maranhão têm nome e sobrenome

“O Maranhão não quer a desonestidade no governo, a corrupção nas repartições e nos despachos”, bradava o jovem José Sarney em seu discurso de posse como governador do Maranhão em 1966.

A cena, filmada e imortalizada por Glauber Rocha no ótimo “Maranhão 66”, é resgata no documentário “Sobrenome Maranhão”, do coletivo Tripa.

O curta-metragem mostra um saldo dos quase 50 anos de domínio político do Estado pela oligarquia mais longeva do país, na visão de professores, estudantes e pesquisadores.

Trechos do discurso de posse do governador Sarney, lidos por anônimos, são sobrepostos por imagens da miséria e da fome e em seguida são analisados e comentados.

“Na campanha politica eles prometem palácios, mas depois o único palácio que existe são o deles”, diz Thays, uma jovem professora desempregada do pobre município de Urbanos Santos.

O professor Francisco Gonçalves, do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão (UFMA), mostra como a família Sarney mistura interesses públicos com interesses particulares a partir da Fundação José Sarney, mantida pelo governo do Estado.

No Maranhão há 161 escolas com sobrenome Sarney, além de monumentos no Judiciário, hospitais, ruas e praças, uma estratégia de personificação, segundo Chico Gonçalves.

“Sobrenome Maranhão” também é construído a partir de imagens dos documentários “O Milagre do Maranhão”, “Meia-Passagem, das manifestações populares de junho de 2013 e da crise no sistema de segurança pública.

Sarney, o personagem principal, abre o documentário dizendo que deixou a sociedade brasileira mudada. Que seu legado foi a consolidação da democracia, uma sociedade realmente democrática. O “Sobrenome Maranhão” mostra o quanto é nocivo para sociedade o desrespeito ao principal fundamento da democracia: a alternância de poder.