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Zé Reinaldo e o falso dilema do PSDB

Maranhão da Gente

Em entrevista à TV Guará, o ex-governador José Reinaldo Tavares sugeriu que a oposição fosse mais carinhosa com o PSDB.

ze reinaldoO ato de carinho mais significativo que o PSDB poderia receber, a esta altura, seria a volta do próprio Zé Reinaldo ao tucanato maranhense.

Por um motivo simples. O PSDB possui uma maioria silenciosa de parlamentares à espera de um líder que possa expressá-la.

Com a aparente conversão de Sebastião Madeira ao sarneysismo, os meios de comunicação do sistema Mirante tem feito transparecer que o prefeito de Imperatriz é a voz majoritária no partido e que o PSDB passa por um dilema sobre permanecer independente ou aderir ao grupo Sarney.

Longe disso.

 A verdade é que Sebastião Madeira ficou ressabiado com a violenta perseguição que o governo Roseana Sarney promoveu na administração tucana em São Luís, inviabilizando por completo o mandato de João Castelo.

Para tentar escapar da fúria sarneysista, que ele conhece na prática porque já foi vítima dela, Madeira aderiu ao pragmatismo.

Prefeito do PSDB e, portanto, sem trânsito no governo federal da petista Dilma Rousseff,  Madeira imaginou que suas chances de concluir o mandato e reeleger-se, passariam por uma aproximação com o governo do estado.

O problema não foi a aproximação em si, foi o método. Em vez de promover uma parceria institucional entre prefeitura de Imperatriz e governo do Maranhão, optou-se por fazer uma aliança política entre Sebastião Madeira e Roseana Sarney. Parece uma sutileza, mas não é.

Na realidade, tal método é precisamente a base do mandonismo político mais atrasado e que garante a permanência do grupo Sarney no poder: uso do dinheiro público para fazer propaganda personalista do político, em vez de gerar benefícios para a população.

O resultado é que agora o prefeito Madeira é usado sistematicamente no projeto de domesticação do PSDB e da cidade de Imperatriz cuja população, como se sabe, detesta a governadora Roseana Sarney e seu grupo.

O PSDB majoritário reage discretamente, mas falta um líder

A reação à tentativa de cooptação sarneysista do PSDB é discreta e vem principalmente das declarações esporádicas do presidente da legenda, deputado Carlos Brandão.

Brandão fala pela maioria, que entende que o partido não pode ser açodado sob pena de ser destruído.

O PSDB possui quatro deputados que lutarão com todas as forças para renovar seus mandatos na eleição do ano que vem. Se a parceria financeira entre Madeira e Roseana Sarney para reelegê-lo em Imperatriz no ano passado foi boa para o prefeito,  o mesmo não se pode dizer da imposição dessa aliança numa conjuntura estadual e os motivos, elencarei em outra oportunidade.

O importante agora é saber que o PSDB precisa urgentemente de uma liderança capaz de agregar o sentimento majoritário dos parlamentares e demais prefeitos tucanos que ao contrário de Madeira, não querem rezar pela cartilha do grupo Sarney.

José Reinaldo, dos poucos que até hoje defende lealmente o ex-prefeito João Castelo e a administração tucana em São Luís, reúne as condições para exercer essa liderança.

 Uma eventual volta do ex-governador ao PSDB mataria três coelhos com uma cajadada só: recolocaria José Reinaldo ao posto de liderança, cuja legitimidade atualmente é questionada dentro do PSB; restituiria o PSDB do Maranhão à condição de partido historicamente independente e fortaleceria o projeto de renovação dos mandatos dos atuais parlamentares da legenda.

Mas, José Reinaldo precisa agir logo.

Com a resistência velada do PSDB maranhense à tentativa de cooptação, Sarney resolveu apelar para a vaidade de Fernando Henrique Cardoso, que concorre a uma vaga de imortal na Academia Brasileira de Letras, instituição usada por políticos maranhenses para se fortalecerem politicamente desde o final do Império (também voltarei a esse assunto em outra ocasião).

Por trás do flerte com FHC o que Sarney deseja, evidentemente, é convencê-lo a enquadrar o PSDB do Maranhão nem que seja marra.

O papel de José Reinaldo é, portanto, impedir que isso aconteça. E espero sinceramente que o faça.

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