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400 anos de São Luís: o presente de grego da prefeitura no transporte coletivo

Em plena véspera do Carnaval de 2011, a prefeitura anunciou o aumento da passagem de ônibus. A tarifa mais cara passou de R$ 1,70 para R$ 2,10. À época, o prefeito João Castelo disse que o aumento das passagens seria compensado pela compra de 300 ônibus novos. O povo foi feliz brincar o Carnaval.

Em agosto de 2011, a prefeitura anunciou a compra de 312 ônibus novos. Contudo, foram acrescidos 312 ônibus à frota ou, muitos destes, foram substituir os ônibus sucateados?

A resposta quem nos deu foi o presidente do Sindicato dos Trabalhadores nos Transportes Rodoviários de São Luís, Dorival Silva, que, em reportagem do jornal O Estado do Maranhão (16/10/2011), afirmou: “Se há aumento da frota, tem de aumentar também a quantidade de trabalhadores. E isso não aconteceu”. Para ele, o Sistema de Transporte Coletivo deveria contratar, ao menos, 600 motoristas e 600 cobradores novos para dar conta dessa demanda. Na mesma reportagem, contrapondo a fala de Dorival Silva, o superintendente do Sindicato das Empresas de Transportes (SET), Luís Cláudio Siqueira, confirmou que houve acréscimo de novos veículos na frota da capital: “Isso é fácil de comprovar. Todo veículo precisa de um validador de cartão eletrônico. A Prefeitura tem esse cadastro”. Nesse projeto de renovação de frota, ainda segundo a mesma reportagem, foram gastos cerca de R$ 75 milhões.

Passou-se algum tempo desde então e, em 25 de março deste ano, o site imirante.com, trouxe uma matéria interessante onde o empresariado do SET proclamou, num tom apocalíptico, que o sistema de transporte público da capital está em um “colapso financeiro-operacional”. Destaco dessa matéria o seguinte trecho:

“(…) mesmo sem nenhum reajuste em mais de dois anos e sem dinheiro em caixa as empresas prestadoras do serviço de transporte coletivo recorreram a financiamentos bancários para a aquisição de 350 ônibus entre fevereiro de 2010 e fevereiro deste ano, todos equipados com elevadores para portadores de necessidades especiais. ‘Só para se ter uma ideia da dimensão deste investimento, este quantitativo equivale a mais de um terço da frota total de ônibus de São Luís’, explicou o diretor jurídico do SET.”

Como não houve reajuste se ano passado as tarifas aumentaram? E, afinal, o aumento da frota foi compensado ou não pelo aumento da tarifa? Tudo leva a crer que não: ganhamos um presente de grego.

Não bastasse isso, parece que nessa matéria foi feita uma profecia autorealizável: o representante do SET afirmou que “alguma medida deve ser tomada, urgentemente, para evitar um caos irreversível no sistema de transporte. Chegamos ao estrangulamento máximo da operação, podendo acarretar em um colapso total e na consequente paralisação dos ônibus de São Luís”.

E onde estamos menos de dois meses após essa declaração? Passando por uma greve de ônibus ilegal que, ainda que se entendam como justas as reivindicações dos trabalhadores de coletivos, impossível não condenar a paralisação de 100% da frota, prejudicando mais de 600 mil usuários. Em respeito à decisão judicial, ao menos 50% deveria ser mantida e, em último caso, 30%, um mínimo razoável.

Como estamos em ano eleitoral, é improvável que haja aumento de tarifa, mas só o futuro dirá.

Quem sai prejudicado – mais do que já é – são os usuários do transporte público que, além de utilizarem coletivos ainda hoje sucateados, ficam reféns da prefeitura, dos sindicatos de empresários e trabalhadores desse ramo.

São Luís está a 110 dias de comemorar 400 anos… Mas iremos comemorar mesmo o quê?

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