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Considerações sobre a eleição na Assembléia Legislativa

De um atento leitor do Marrapá:

Alguns fatos que elucidam a eleição da Mesa da Assembléia ainda não tratados pelos nobres jornalistas/analistas:

1. Roseana Sarney e seu esposo, Jorge Murad, se incomodam mesmo com a desenvoltura de Ricardo Murad. Mas apoiaram, sim, a candidatura dele ou pelo menos não se opuseram;

2. Ricardo cantava vitória, mas não articulava nada; pelo contrário, acertava uma coisa aqui e desacertava ali. Este é o fato concreto que permitiu fazer o clima para a fissura na base do governo;

3. O Governo Roseana Sarney é muito fraco porque é fruto de acertos que não serão cumpridos. No desespero, para evitar um segundo turno em que perderiam para Flávio Dino, fizeram de tudo e mais um pouco, fazendo com que o governo se instaurasse com uma forte dose de ilegitimidade. Todos esses parlamentares têm algo a receber do consórcio sarneysista, o que os faz em condições de maior liberdade;

4. Foram muitas as tentativas de evitar o desfecho que o caso teve. Por exemplo, Nelma Sarney foi ao sítio, pediu para conversar com o Edilázio e este disse a ela que não mudaria de posição. Encerrou a conversa com um “não sou moleque”…

5. Capitaneados pelo Chefe da Casa Civil, Luís Fernando, uma comissão foi à Assembléia. Esta comissão se reuniu com Rubens Pereira, Fufuca Dantas, Humberto Coutinho e Carlos Braide. O pedido da conversa e as propostas de muita grana eram para que os pais demovessem os filhos e “tudo estava zerado”.

– “Não vamos decidir por eles “– disse um dos pais.

-“Vão lá, conversem com eles” – emendou um outro pai.

Luis Fernando retrucou: “não vou falar com vagabundos”. Depois, numa tentativa de desanuviar o clima, disse que Roseana Sarney estava à disposição para firmar compromissos: Se eu ligar, vocês falam com ela? Quis saber. “Não dá, não vamos brigar com nossos filhos, que já são adultos, e nem o Humberto com a mulher dele”, encerrou o assunto um deles.

Este foi o último e desesperado esforço de Roseana Sarney para impedir a eleição de Arnaldo Melo, em que ela não confia nem um pouco por ter se aliado a Jackson Lago. Sem Ricardo, ela preferia e tentou costurar o nome do Max Barros e no fim, sem alternativa, o do próprio Manoel Ribeiro. Na cabeça de Roseana, o que tá perturbando não é nem tanto a derrota de Ricardo, claro, mas sim o modo como os “menudos” e a oposição formada pelo bloco que apoiou Flávio Dino agiram.

Quando Ricardo dançou na Assembléia, tentou montar um plano para retomar triunfante no plenário. Mas a essa altura, não tinha mais soldados para operarem uma retomada da cidadela perdida. Sem a Assembléia, ele tratou logo de exigir a volta à Saúde. Roseana Sarney mostrou-se reticente até o ponto em que Ricardo Murad, na frente de dois deputados estaduais e um secretário de Roseana, sapecou: “é assim? Então tá, só me resta contar para a imprensa e a justiça como foi que nós fizemos para tu ganhares no primeiro turno impedindo a ida do Flávio Dino”. Houve silêncio sepulcral.

 

*O texto acima não expressa necessariamente a opinião do autor deste blog.